Recém-Nascidos

MIELOMENINGOCELE - Parte II



Bem, como já havíamos conversado (segundo texto na seção Pré-Concepção), a Mielomeningocele acontece quando há um defeito no fechamento do tubo neural do embrião, originando tecidos e envoltórios malformados no local onde deveria haver coluna vertebral, medula e nervos do bebê.




Como conseqüência, quando o bebê nasce, ele apresenta um abaulamento ou saliência em suas costas, que pode se localizar nos níveis cervical (pescoço), torácico ou lombo-sacro, que é o mais comum, e está acima ilustrado. Esta “bolsa” contém nervos e medula malformados, além dos ossos da coluna não completamente fechados.

Como prevenir que seu bebê nasça com Mielomeningocele?
Como já conversamos no primeiro artigo, através da tomada de ácido fólico 03 meses antes de engravidar, supervisionado pelo seu médico.

Como diagnosticar?
A Ultrassonografia é o método mais acessível e pouco invasivo, e pode identificar alguns casos de Mielomeningocele a partir da décima oitava semana de gestação.

Você descobriu, durante a gestação, que seu bebê tem Mielomeningocele. O que fazer?
Em primeiro lugar, nada de pânico. Converse com seu Obstetra, que lhe orientará a respeito, e programará o parto (que deverá ser cesárea para não lesionar mais ainda a mielomeningocele). O acompanhamento com o Neurocirurgião também é fundamental, já que quando seu bebê nascer, ele deve ser operado o quanto antes, para cobrir o tecido nervoso exposto e diminuir o risco de infecção.
Muitos hospitais públicos e privados estão habituados com esta rotina. Informe-se sobre o mais perto de você.
PS: muito se fala hoje em dia de cirurgia intra-uterina para correção da Mielomeningocele. Atenção: ela parece ser muito promissora, mas ainda é experimental e poucos centros a realizam. Converse com seu médico.



Você descobriu, após o parto, que seu bebê tem Mielomeningocele. O que fazer?
Inicialmente o recém nascido deve ser avaliado pelo neonatologista para verificar as condições clínicas do bebê. Em seguida, o Neurocirurgião avaliará o bebê e decidirá sobre o momento (usualmente o mais rápido possível) e a cirurgia a ser feita.Em geral a criança toma antibióticos por alguns dias e permanece no berçário ou UTI Neonatal.


E quais as conseqüências para uma criança que nasce com Mielomeningocele?
Listarei algumas abaixo:
Infecções: como o tecido nervoso do bebê fica exposto, isto é uma porta de entrada para bactérias, que podem causar infecção.
Hidrocefalia: muitas crianças com Mielomeningocele também têm hidrocefalia, que é o acúmulo de líquor (que é o líquido que envolve o cérebro e a medula), dentro das cavidades cerebrais do bebê. Este acúmulo aumenta a pressão do crânio da criança e muitas vezes determina o aumento do tamanho da mesma. Na grande maioria dos casos requer também, tratamento cirúrgico.
Paralisia: Muitas crianças nascem com dificuldade de movimentar as pernas, o que será mais ou menos intenso de acordo com o grau de lesão de sua medula.
Incontinência Urinária e Fecal: muitas crianças vão desenvolver infecções urinárias, incontinência ou retenção urinária e/ ou fecal, necessitando de uso de sondagem e acompanhamento com o Médico Urologista.
Outras malformações: malformações ortopédicas e cardíacas também podem ocorrer.


Meu filho é portador de Mielomeningocele. O que fazer?
A medicina avançou muito. Hoje, melhoramos nossa técnica cirúrgica, temos equipamentos e antibióticos adequados. Apesar disso, pelo que vimos, a criança com mielomeningocele requer muitos cuidados. Uma equipe multidisciplinar, com Pediatra, Neurocirurgião, Ortopedista, Urologista, Fonoaudiólogo, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo e Assistente Social, devem trabalhar juntos para o bem da criança. A criança pode e deve ser estimulada ao máximo, reabilitada ao máximo, porque isto aumenta muito suas chances de ter uma vida feliz e produtiva. Por isso, recomendamos sempre o acompanhamento destas crianças especiais em centros capacitados, para que todas as potencialidades da criança sejam exploradas e apoiadas.

Hoje há centros de excelência no cuidado com crianças com mielomeningocele, infelizmente poucos deles públicos. Estimuladas e cuidadas, estas crianças surpreendem. Elas são fortes, corajosas, amáveis, e ao contrário do que alguns pensam, muitas delas são intelectualmente muito capazes e produtivas. Merecem o nosso cuidado e respeito, e a sociedade tem o dever de acolhê-las, ampará-las, e estimulá-las.



Dra. Valéria Marques Figueira Muoio
CRM 97485
Neurocirurgiã Pediátrica
Doutoranda no Departamento de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Médica do Instituto Neurológico de São Paulo
Contato: valeria.neurologia@mae24horas.com.br