Recém-Mamães

Depressão Pós-Parto

Não é incomum a sensação de tristeza e desesperança vivenciada pela mãe assim que o bebê nasce, em contraste com a alegria tão característica desse novo momento. Por um lado, a chegada do bebê traz grandes novidades e felicidade para a família inteira, mas por outro pode gerar uma série de conflitos e sensações difusas, muitas vezes incompreendidas pela mãe e demais familiares e amigos.

Cerca de 80% das mães experimentam essa tristeza (a tristeza materna), que pode ser acompanhada também de euforia e indecisão diante de questões simples do dia-a-dia. A idéia de que não se é uma mãe capaz nem mesmo de executar as tarefas mais rotineiras assusta e desanima, mas tende a desaparecer em poucas semanas, sendo necessário para tanto o repouso e uma dose de paciência. Entretanto, uma evolução desse quadro de tristeza pode ocorrer, merecendo assim uma atenção especial.

É importante compreender que essa alteração psíquica – a tristeza sentida pela mãe após o nascimento do bebê – se manifesta de três maneiras diferentes: tristeza materna (que desaparece em pouco tempo), depressão pós-parto e psicose puerperal.

Alterações hormonais e estresse diante da chegada do novo membro da família desencadeiam essa tristeza, que deve ser considerada com muita atenção uma vez que o quadro de melancolia pode evoluir, em alguns casos, para transtornos depressivos mais sérios, resultando em grande sofrimento – a depressão pós-parto.

A mãe, nesse caso, pode apresentar sintomas como: alterações do sono (dormir muito ou insônia), sensação de falta de energia e de que o mundo vai acabar, dificuldades de concentração e na tomada de decisões, sentimentos de desvalia e de culpa de forma persistente, que se agravam com o tempo.

Já a psicose puerperal é caracterizada por um rompimento com a realidade (ao contrário da depressão, onde a pessoa tem consciência do que acontece ao seu redor), acompanhado de pensamentos obsessivos, correspondendo à evolução “mais extrema” da tristeza materna.

Além das questões já citadas, como alterações hormonais e estresse, a depressão pós-parto pode ser desencadeada por outros fatores. Estudos sugerem que mulheres que sofram com sintomas emocionais pré-menstruais tenham mais chance de desenvolver alterações psíquicas após o parto; existe também uma relação entre o histórico de transtornos afetivos prévios e o surgimento de transtornos depressivos após o nascimento do bebê (Atkinson, 1984; Cutrona, 1986; Gotlib, 1991; Graff, 1991; Logsdon., 1994; O'Hara, 1983, 1983; Whiffen, 1988, 1993). Outras questões merecem destaque, como problemas de adaptação e aceitação da gestação, gravidez precoce (na adolescência) e a presença de disfunção tereoideana (em alguns casos).

O tratamento de depressão pós-parto deve envolver os cuidados psicológico, psiquiátrico e ginecológico. Em relação à tristeza materna, a terapia traz resultados rápidos na maioria das vezes. Todo o tratamento deve envolver não somente o bem-estar da mãe, mas levar em conta também o desenvolvimento adequado do bebê (com a prevenção de distúrbios que possam interferir nesse desenvolvimento) e o bom relacionamento conjugal e familiar.



Denise Juhasz Silva
Psicóloga
Contato: denise.psicologia@mae24horas.com.br