Gestantes

O início da vida: o período da gestação

Grandes transformações ocorrem frente à expectativa da chegada de um bebê. Tantas novidades oferecem uma ótima oportunidade para um contato mais direto com o novo membro da família que está chegando, a fim de que a adaptação seja a mais tranqüila e natural possível.

Está claro que, embora a família experimente uma grande alegria e satisfação – e por mais desejado e esperado que o bebê seja - sentimentos envolvendo angústia, medo e ansiedade também são muito comuns nesse período, vivenciados especialmente pelos pais do bebê e mais particularmente pela mãe.

Sensações ambíguas, altos e baixos... É importante que a mãe esteja consciente desta ambivalência de emoções, para que consiga lidar com a situação da maneira mais adequada possível.

As grandes variações hormonais e emocionais provocam esta desordem de sentimentos, daí a importância da busca de momentos de tranqüilidade pela gestante como, por exemplo, sessões de massagem, ou mesmo medidas simples adotadas em casa, como reservar alguns minutos por dia para uma pausa de relaxamento total, ouvindo uma música suave. O apoio da família, amigos e colegas de trabalho contribuirá em grande medida, para a tranqüilidade da gestante, trazendo o bem-estar que será fundamental para a relação que já está sendo estabelecida entre ela e o bebê.

De acordo com o psiquiatra Thomas Verny, autor do livro “A vida secreta da criança antes de nascer”, a partir do 2º. trimestre de gestação o bebê já é capaz de sentir e saber que existe. Embora não tenha noção do que está acontecendo, registra essas sensações na memória.

Com quatro meses e meio, é capaz de perceber a luz e os sons (já ouve); tem um paladar desenvolvido que diferencia o amargo, o doce e o salgado. Assim, o bebê ouve sons ao seu redor e reconhece principalmente a voz materna.

Embora os movimentos do bebê possam ser sentidos apenas a partir do 4º. mês, a comunicação entre mãe e filho pode e deve ser iniciada logo no primeiro mês de gravidez. E a participação do pai nesse processo de comunicação ampliará e fortalecerá o vínculo entre a criança e seus pais, antes mesmo do seu nascimento.

Incluir o companheiro, partilhando as alegrias e inseguranças do momento, tornará o desafio diante de tantas mudanças mais brando e bem mais agradável para a mãe, trazendo certamente uma influência positiva para o bebê.

De fato, o estado emocional da mãe pode interferir nas reações e no desenvolvimento do feto. Emoções como ira, medo e ansiedade “acionam” o sistema nervoso autônomo da mãe, e algumas substâncias químicas são liberadas na corrente sangüínea, como epinefrina e acetilcolina. Ao mesmo tempo, glândulas endócrinas secretam diferentes hormônios, resultando numa alteração da composição do sangue da gestante. Estas novas substâncias são transmitidas através da placenta, produzindo modificações no sistema circulatório do bebê.

Todas essas alterações teriam influência negativa: o stress emocional prolongado vivenciado pela mãe durante o período de gestação traria conseqüências duradouras para a criança: hiperatividade, irritabilidade, evacuação excessiva, gases e distúrbios no sono são alguns dos possíveis problemas que podem surgir, apontados através de diferentes estudos (David, DeVault & Talmadge, 1961; Joffe, 1969; Sameroff & Zax, 1973; Sontag, 1944).

Em algumas situações, a mãe pode experimentar sensações de rejeição à gravidez. Embora a maioria dos médicos não acredita que esses sentimentos resultem em aborto, a gestante deve procurar ajuda o quanto antes.

Mudanças acentuadas no comportamento que revelem falta de interesse pela gravidez, e sintomas como sono demais ou de menos, tristeza acentuada, desânimo, irritação, comer muito ou falta de apetite são alguns dos sinais que podem indicar a necessidade de apoio de um especialista.

Além de promover o bem-estar do próprio bebê, a mãe estará livre para usufruir esse momento tão singular, que de outra maneira poderia causar angústias que a impedissem de sentir a gratidão e a felicidade pelo dom mais especial que uma mulher pode ter: o de ser mãe.


Denise Juhasz Silva
Psicóloga
Contato: denise.psicologia@mae24horas.com.br