Família 24 horas

PAI 24 HORAS

A Seção Família 24 Horas tem por objetivo homenagear Papais, Mamães, Vovôs e Vovós 24 Horas, bem como Irmãos, Titios e Primos 24 horas, que se dedicam de forma extraordinária aos seus filhos, netos, irmãos e primos com amor e carinho.

Quero iniciar esta seção com um PAI 24 HORAS: Antonio Carlos, pai dos trigêmeos Anna Vitória, João Vitor e Juninho.

Tentei realizar uma entrevista com meu marido, Antonio Carlos, porém foi em vão. A maioria dos homens não gosta de falar, se expor, a não ser quando quer, e o meu não é exceção. Homens são mais resignados, fechados, calados...são homens.

Que bom. Somos mulheres, bem diferentes, com o dom especial de entendê-los e amá-los.

Chamar meu marido de pai é pouco, trata-se de um SUPER PAI 24 HORAS. Pai amoroso, que brinca, ri, chora, se emociona, se preocupa, se entrega a carinhos... Quando está em casa, a paz reina no lar. Filhos ficam felizes, tranqüilos, serenos; a mãe, com sorriso nos lábios e alegria no coração. Paz! Santa paz! Impõe respeito com o olhar, faz-se presente com o doce som de sua voz, que me encantou desde o primeiro momento em que o escutei falar.

Pai sábio, dotado de sabedoria divina, que descobriu em primeiro lugar que eu estava grávida de trigêmeos. Ao ver o exame de ultrassonografia e ser parabenizado por ser pai de gêmeos, levantou calado, atônito, olhando fixamente a imagem. Indagou o que seria aquele outro ¿pontinho¿ que via. Nada, disse o médico, já observando de forma diferente a imagem que vira há pouco. Diante de sua insistência, de que aquele pontinho não era pontinho, mas sim outro bebê, o exame prolongou-se, mais um médico foi chamado e veio a confirmação: trigêmeos. Sua fisionomia não consigo descrever. Acho que dá para vocês imaginarem. Ou melhor, acho que não dá. Foi uma mistura de sentimentos que se manifestaram sob a forma de apatia, tão pasmo estava do ocorrido. Eu era a imagem da felicidade, sem preocupações, pois sempre quis ter três filhos, só não imaginava que seria assim.

Passado o estado emocional ZERO inicial, que perdurou pelos primeiros meses, os preparativos para recebê-los começaram a tomar conta de seu pensamento e uma alegria começou timidamente a brotar. A verdadeira alegria só veio a ocupar espaço definitivo quando ele viu os três virem ao mundo. Alegria por vê-los lindos, perfeitos; receio por vê-los tão pequenos, frágeis e requerendo cuidados especiais. Aí sim o PAIZÃO entrou em ação. A partir do nascimento passava boa parte de seus dias na UTI Neonatal, o que de certa forma, serviu para fortalecer os laços de amor que os une até hoje. Ele cantava para eles (uma música que demonstrava o quanto eram queridos e desejados), fazia carinho, ajudava algumas vezes a dar de mamar pela sonda, trocava as minúsculas fraldas, abraçava, dava amor. Amor que eu não podia dar, pois estava na UTI; ele os sustentou em amor. E Deus nos sustentou na fé. Hoje quando se lembra dessa fase, respira aliviado por ter passado.

Quando chegaram da maternidade, estava sem babá e ele me ajudava a dar banho nos bebês, muitas vezes por volta de cinco e meia da manhã, para que ao sair para o trabalho, eu me encarregasse apenas das mamadas(que duravam cerca de cinqüenta minutos cada), trocas e nossa alimentação. Durante as madrugadas, era meu companheiro no revezamento das mamadeiras, pois muitas vezes dois mamavam ao mesmo tempo, e ele com dó, me ajudava. Aproveitávamos, enquanto isso, para juntos assistirmos ao seriado que muito gostava, I Love Lucy, que sempre passava às três da manhã (horários estranhos os nossos, não acham?). Aos finais de semana ele sempre foi a BABÁ, me ajudando em tudo.

Um pai presente em 100% das visitas médicas (à pediatra, à oftalmologista) em 100% dos exames (de rotina ou não), 100% dos passeios, 100% das festas infantis, 100% das festas escolares e 0% das reuniões pedagógicas da escola (ufa! Ele é normal).

Hoje, só alegria e muito fôlego! E isso esse pai tem de sobra. Brincam muito, se divertem, compartilham emoções, compartilham amor. Aliás, amor é a palavra que melhor traduz esse ser maravilhoso, que é e sempre será um PAI 24 HORAS.

Sara Gonçalves
Esposa de Antonio Carlos e mãe de Anna Vitória, João Vitor e Juninho.