Bebezinhos

SOBRE SEU NARIZ





Rinite, uma palavra cada vez mais comum entre nós, do Lat. rhinós significa nariz e ite inflamação, portanto inflamação da mucosa do nariz. Esta inflamação decorre de um processo irritativo de origem infeccioso ou não. Os processos infecciosos podem ser causados por agentes agressores bacterianos ou virais. As rinites não infecciosas mais freqüentes são as alergias, hoje responsável por mais de 30% dos casos diagnosticados.

Podemos ainda diferenciar as rinites de acordo com a sua severidade, em dois grupos: as intermitentes e as persistentes. As intermitentes (do Lat. Intermittente) sofrem interrupções ou intervalos, são mais freqüentes no inverno, onde a população para se manter aquecida fica em áreas menos ventiladas, favorecendo a sua proliferação. As persistentes (do Lat. Persistente), que se mantêm por mais de uma semana, quando não tratadas de forma adequada podem levar à formação de sinusite (inflamação nos seios da face). Não importa o tipo de rinite, os sintomas de obstrução nasal, coriza, prurido e espirros estão sempre presentes, podendo variar de intensidade e freqüência de acordo com a causa.

Na rinite alérgica, substâncias como poeira doméstica, fungos, pólen, secreção de animais (saliva, pêlos) ou restos de insetos, podem desencadear os sintomas, além de agentes irritantes como a fumaça de cigarro, cheiros fortes, tintas, perfumes, odorizadores e a poluição. Como principal tratamento está o diagnóstico da substância alergênica e o afastamento desta do convívio com a criança através de uma boa higiene ambiental. Quando esta irritação chega aos pulmões pode dar origem à asma, bronquite, pneomunite...

Asma é uma doença inflamatória crônica dos pulmões, caracterizada por hiper-responsividade das vias aérea inferiores (irritação) e por limitação variável ao fluxo aéreo (diminuição do brônquio), levando o portador deste mal a freqüentes crises respiratórias (falta de ar, tosse, chiado). Fatores genéticos e ambientais alérgicos ou irritantes estão associados com os principais fatores desencadeantes ou de manutenção dos sintomas. Durante a inflamação, mediadores inflamatórios são liberados por células presentes nos pulmões causando danos, que se tratados na fase inicial podem ser reversíveis. Observe a figura 1, abaixo.

Testes específicos podem ser realizados para o diagnóstico de alergias respiratórias (Teste cutâneo/ RAST/ Prova de função pulmonar), pois nem tudo que chia é ASMA! A asma atualmente é a terceira causa de internação no SUS em crianças e adultos jovens e em 2005 foi responsável por 2,6% de todas as internações do ano.

Fatores de risco para Asma:
? Pais asmáticos ou alérgicos
? Presença de Dermatite Atópica na infância
? Uso de Inalação com Berotec frequentemente
? Prurido ocular, nasal, no ouvido ou boca frequentemente
? Tosse noturna
? Cansaço aos exercícios
? Crises de chiado que necessitaram de internação em UTI



Figura1. Mecanismo fisiopatológico da alergia.


Fonte: Revista Bras. Alerg. Imunopat., Vol 29, No. 5, 2006.



Cuidados para o Dia-Dia do alérgico:
1. Encapar colchão e o travesseiro com capas impermeáveis, para impedir o contato direto com os ácaros (poeira), e outros alérgenos aprisionados na espuma do colchão. Estes devem ser lavados 1x/semana.
2. Lavar semanalmente os lençóis com água quente, se possível maior que 55 0C. Não usar produtos com cheiro forte ou amaciantes nas roupas.
3. Usar edredons ao invés de cobertores de pelo. Expor ao sol semanalmente.
4. Limpar o quarto diariamente com pano úmido, e não esquecer do estrado da cama semanalmente. O alérgico não deve permanecer no local durante a limpeza, sendo que a poeira fica 30 minutos em suspensão depois de deslocada.
5. Livre-se do excesso de objetos de decoração que só servem para acumular poeira e guarde os livros em armários fechados. Isso facilita a limpeza.
6. Os brinquedos devem ser laváveis, e bichos de pelúcia lavados com água quente.
7. Evitar uso de sprays como inseticidas, perfumes, desodorantes, pois deixam partículas suspensas no ar.
8. Evitar o fumo domiciliar e no quarto da criança.
9. Não utilizar alimentos industrializados, com corantes ou conservantes.
10. Evitar animais de estimação que soltam pelos ou penas dentro de casa.



Dica:
Devemos estar sempre vigilantes com a freqüência e o tempo de duração que os sintomas se manifestam. Caso note uma elevação na freqüência e tempo de duração destes, em você ou em seus próximos, consulte um especialista. Uma doença passageira (aguda) pode, se não for diagnosticada correta e precocemente, com o passar do tempo, tornar-se crônica.



Dra Tatiana C. Lawrence
Contato : tatiana.alergopediatra@mae24horas.com.br
Pediatria, Alergologia e Imunologia
Consultório: Rua Santa Justina, 222 / Vila Olímpia
São Paulo – SP / CEP 04545-041